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Puglia

A Puglia é um lugar encantador com seus trulli e o estilo de vida rústica

No salto da bota, a região italiana da Puglia reúne praias de mar azul, vilarejos encantadores e restaurantes onde se come bem, bastante e barato.

O centrinho de Alberobello é uma celebridade da Puglia. Branquinho, é todo feito de trulli, as casas em forma de cones.

Só um país que ostenta Roma e Veneza na comissão de frente pode se permitir o luxo de manter a Puglia na moita, como mera coadjuvante.

Uma das partes mais antigas do sul da Itália, a região tem mais de 2 mil anos de história, vilarejos forrados de mármore, ruínas greco-romanas, igrejas revestidas de mosaico e cidadezinhas que se debruçam sobre falésias e praias exuberantes.

Banhado pelos mares Jônico e Adriático, o salto da bota também preserva coisas da era pré-Pokémon: o tiozinho que toma uma brisa na cadeira armada na calçada, o mercadinho onde a senhora faz contas num pedaço de papel e a cesta de figos que seca na janela, ao lado da calçola da nonna.

As estradas poderiam ser bem melhores. Nem todo o patrimônio histórico está restaurado. Mas, pasme!, existe vida real nas ruelas de Polignano a Mare, Ostuni ou Locorotondo, um alento para quem se cansou de cidadezinhas que se parecem parques temáticos, de onde os moradores foram expulsos pelas lojas de souvenir e cafés “charmosos”.

Rústica e autêntica, essa bella donna sem botox também tem a incrível capacidade de permitir que você se esbalde em comida, vinho e boa vida – a preços tão adoráveis quanto a simpatia pugliese. 

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Piccola, ma non troppo: a Puglia parece minúscula, mas é enorme

De um lado está o Adriático, com seu inconfundível tom esmeralda. Do outro, o Jônico, com seu poderoso azul-turquesa, que por vezes pende para o cobalto. Entre uma coisa e outra, há uma gigantesca e variada paisagem, cortada por estradinhas que nem sempre combinam com a pressa.

Espremendo com força,  a região cabe em uma viagem de uma semana. Cisternino, a maior fofura do Valle d’Itria, um mar de oliveiras que recheia a parte central do salto da bota. Branquinha e permeada por pracinhas que entregam vistas lindas dos arredores, tem um magnífico centro histórico forrado de mármore – e sempre perfumado com cheiro de churrasco.

A tradição, ali, é jantar no próprio açougue, ou macelleria. O mais disputado é o Al Vecchio Fornello, prove o bombette (o suprassumo do bolinho de carne). Ali o cliente pode escolher os cortes no balcão e ir devorando salames, azeitonas e pimentões sott’olio, afogados em azeite de oliva, enquanto o carvão se encarrega de dourar o prato principal.

A culinária da Puglia vai te fazer praticar halterofilismo estomacal

Come-se bem em qualquer biboca – em quantidades quase imorais. A culinária local é simples e direta, sem molhos ou artifícios, a não ser as fartas doses do magnífico azeite de oliva local.

E dá-lhe bombette (que pode ser recheada com coisas gulosas), orecchiette (massa em forma de orelhinha), scamorza (um queijo primo do provolone), taralli (um biscoitinho viciante), caldeirões de frutos do mar, quilômetros de linguiças, tábuas de frios…

Pouco conhecidos fora da Itália, os vinhos da Puglia são potentes, saborosos, diversificados e… baratos. Há belíssimos tintos (o Primitivo é o mais famoso), rosés e brancos.

Prepare o halterofilismo estomacal para lidar com as porções do padrão pugliese. O momento ápice da performance, nesse sentido, é jantar na Osteria da Giuseppe, no vilarejo de Ceglie Messapica, a 17 quilômetros de Cisternino.

Depois de uma maratona de antipasti,  um colossal orecchiette com ragu de carne: o primo piatto, depois  uma porção de braciola e termine a noite com doces típicos é a nossa sugestão. O menu, com vinho incluído, custa 22 euros. 

Como se hospedar num trullo, a casa típica em forma de cone

Para os padrões europeus, a Puglia é um sopro de otimismo no quesito preços. Fugindo dos meses de julho e agosto, é possível encontrar acomodação confortável a menos de 50 euros para o casal. E dá pra ser bastante original nesse quesito.

Um clássico pugliese é se hospedar em uma masseria. Típicas da região, muitas dessas antigas construções fortificadas foram convertidas em hotéis. Mas, um trullo, é o signo de identidade do Valle d’Itria.

Esse tipo de casa em forma de cone é tão antigo que ninguém conhece a sua origem, ainda que indícios apontem para a pré-história. 

Usados como armazéns rurais e moradia, os trulli (plural de trullo em italiano) são erguidos com pedra calcária. Antigamente, eram construídos sem cimento: apenas paciência e habilidade de encaixar as pecinhas. É uma espécie de Lego primitivo, digamos.

Segundo consta, os habitantes da região também eram capazes de desmontá-los em poucos minutos, removendo algumas pedras estratégicas para que parecessem montes de entulho aos olhos dos inimigos e dos proprietários das terras, que cobravam impostos sobre construções.

O mais comum é ver esses cones pelo campo. A exceção é o centro histórico de Alberobello, inteiramente feito de trulli, o que faz dessa cidadezinha a grande celebridade local.

Menos turística, e em outro estilo, Locorotondo é mais uma joia do Valle d’Itria, toda branquinha, com casarões adornados por vasos de flores, pracinhas graciosas e belos mirantes. 

A grande dama da Puglia é Lecce, a cerca de 100 quilômetros de Cisternino, bem no centro da Península Salentina – uma boa pedida para servir de base ao sul. Antiga colônia grega, a cidade ganhou importância durante o Império Romano, e teve o seu auge na Idade Média.

Como quem não quer nada, abriga um anfiteatro romano de 1 a.C. em pleno centro histórico, que só foi descoberto em 1938. Lecce também é famosa pelo seu estilo barroco peculiar, que floresceu no século 17 e tem como expoente máximo o arquiteto e escultor Giuseppe Zimbalo, cujas obras-primas são a catedral e a magnífica Chiesa di San Giovanni Battista.

Não dá pra perder, também, a Igreja de Santa Croce, do século 16, que tem a fachada retocada pelo mestre Zimbalo.

Um trullo pra chamar de seu

Ficar hospedado em um trullo é uma das coisas mais bacanas para fazer na Puglia. Alguns modelos são modernos e agregados a construções novas. Outros podem ser rústicos e autênticos.

Com paredes espessas e janelas, a casinha é uma espécie de caixinha térmica: no calor, é mais fresco que o exterior. No inverno, mais quentinho. Ainda assim, no auge do verão, você fará um ótimo negócio se alugar um com ar-condicionado.

Empresas como a Trulli Italy e a Rent a Trulli são especialistas no assunto. Também há muitas opções no Airbnb. Trullo rústico, símbolo da tranquila vida cotidiana na Puglia

As cidades lindas e praieiras da Puglia

Sicília e Sardenha à parte, nenhuma outra região da Itália possui praias tão belas e variadas quanto a Puglia. Algumas têm areia fina e água azul-turquesa. E também há falésias, enseadas de pedrinhas e até dunas! Um ou outro beach club, assim como alguns hotéis, possui uma spiaggia particular. Mas há trechos públicos de sobra.

No lado do Adriático, que banha a maior parte da costa da Puglia, a vedete é Polignano a Mare. Seu ângulo mais impressionante é a minipraia de pedrinhas espremida entre enormes paredões rochosos sobre os quais a cidade se debruça – e que acolhem uma das etapas do campeonato Red Bull Cliff Diving.

Nos pontos extremos do vilarejo, há muitos terraços. Alguns públicos e outros secretos, dentro de bares e casas particulares – mas todos revelam umas vistas matadoras do mar cor de esmeralda.

Monopoli, a 10 quilômetros dali, é uma cidadezinha com uma geografia bem parecida, apesar de um pouco menos espetacular. A geografia é generosa na minipraia de pedras em Polignano a Mare, no lado adriático

Continuando 40 quilômetros na direção sul, Ostuni é conhecida como “a cidade branca”, encarapitada sobre uma colina perto do mar. Levemente caótica, ela é um emaranhado de becos, vielas e pracinhas que vão revelando minirrestaurantes, enotecas e lojinhas fofas em becos cheios de vida, com os tradicionais varais pendurados nas janelas.

Seguindo adiante pela rota adriática, Otranto é dominada por uma enorme fortaleza do século 15, à beira-mar.

É lindíssima, foi uma cidade importante do Império Bizantino, passou ao domínio normando, em 1070, e sofreu atrocidades com a invasão turca no século 15 – seu Duomo, cuja origem remonta ao século 11, guarda os ossos dos mártires e tem um piso de mosaico escandalosamente belo, do século 12. Em Otranto, há uma linda fortaleza à beira-mar

Vilarejo de Campomarino pode ser base para visitar as praias

Na Costa Jônica, a cidadezinha mais charmosa é Gallipoli, toda rodeada e protegida do mar por uma poderosa muralha medieval – e com uma enseada bem respeitável que segue o padrão local das águas cristalinas.

A grande sensação desse pedacinho da Península de Salento, no entanto, são as praias de areia.

Alguns bons achados estão ao sul de Gallipoli, no Parco Naturale Regionale Isola di Sant’Andrea. Mas nada bate a fenomenal Punta Prosciutto, 40 quilômetros ao norte. É uma faixa de areia branquíssima, que parece ter sido importada direto do Caribe, com um mar raso, calminho, azul-turquesa.

A melhor maneira de explorar a Puglia é de carro

Vilarejos esparsos, praias, parques nacionais e um mar de oliveiras entre uma coisa e outra: a Puglia é um destino que pede um carro para ser explorado.

Para isso, vale tomar alguns cuidados extras, como não deixar nada de valor dentro do veículo ao estacioná-lo (nem o GPS).

Também é importante ler as letras miúdas do seguro contratado na hora do aluguel, já que alguns são isentos de franquia em todo o país, menos na Puglia e na Calábria, onde os roubos são mais frequentes.