Sardenha

Sardenha: cidades e as praias mais paradisíacas da Itália

A Sardenha tem tudo: grutas que se abrem para praias de água azul-turquesa, lindas paisagens rurais, cidades com centrinhos medievais, comida inesquecível

Natureza, iates e jetsetters se concentram nos arredores de Porto Cervo, na Costa Esmeralda (Slow Images/Getty Images)

Os italianos não têm dúvida: as melhores praias do país ficam fora da bota. Estávamos navegando pelo paradisíaco Arquipélago Maddalena e, há mais de uma hora, eu tentava manter a boca fechada diante dos tons de azul e da transparência da água.

Separada do continente por 200 quilômetros de mar, a Sardenha recebe, a cada verão, uma horda de turistas europeus, composta principalmente por famílias com crianças e casais em busca de sossego. Não eram tão pacíficas as intenções dos fenícios, romanos, árabes e espanhóis que invadiram o território no passado, motivo que levou o povo sardo a dar as costas para as águas turquesa e viver no interior da agricultura e da criação de animais. Escondidos entre montanhas e planícies áridas, eles desenvolveram seu próprio folclore e linguagem (juntamente com o italiano, o sardo é um dos idiomas oficiais). Para chegar nessas praias de sonho, só fazendo um passeio de barco

Para chegar nessas praias de sonho, só fazendo um passeio de barco (Michele Vascellari/Flickr)

No intervalo entre uma praia e outra, esbarrar nessas tradições milenares é inevitável. Saindo do aeroporto, não demorará nem dez minutos até que você aviste ovelhas pastando. Com um pouco mais de sorte, dá para flagrar viúvas vestidas de preto da cabeça aos pés. Não fossem esses cenários pitorescos que margeiam as pistas, vencer distâncias na Sardenha poderia ser cansativo. Para explorar a segunda maior ilha do Mediterrâneo, a dica é montar base em duas ou três cidades e alugar um carro: as estradas são boas e sem pedágio e todas as praias possuem estacionamentos pagos. Fora isso, basta torcer para que o sol apareça. É ele quem determinará o nível do seu embasbacamento com a cor da água, que fica mais turva em dias nublados.PUBLICIDADE

Nordeste: O Ponto de Partida

Algumas das praias mais famosas da Sardenha estão no nordeste da ilha, onde San Teodoro e Budoni são bases charmosas para se hospedar. À noite, os centros dessas cidades ficam repletos de turistas, jantando a mesas ao ar livre ou passeando, com gelato na mão, entre barracas de artesanato. Basta o sol aparecer para que essa multidão se espalhe pelas muitas praias das redondezas, todas com mar calmo e cristalino, mas com paisagens e infraestrutura diferentes.

Na modesta opinião de quem escreve, Porto Taverna (€ 4,50, por três horas de estacionamento) e Cala Farfalla (€ 8, o dia inteiro) são as mais bonitas por ficarem de frente para a Ilha Tavolara, um enorme bloco branco que se ergue no horizonte. Ganha no quesito serviços a tranquila Cala Brandinchi, que compensa os € 2, por hora, de estacionamento, com bar, banheiro e torneiras para lavar os pés. Cala Brandinchi, em São Teodoro: linda, tranquila e trabalhada nos serviços

Cala Brandinchi, em São Teodoro: linda, tranquila e trabalhada nos serviços (Lucien82/iStock)

A experiência mais agradável, no entanto, foi em Berchida (€ 10, o dia inteiro). Ali fica um barzinho chamado Su Meriacru, que, no idioma sardo, pode significar tanto “sombra” quanto “milagre”. Ambos seriam adequados para descrever o lugar que, escondido entre as árvores, serve sanduíches no pão moddizzosu, parecido com o sírio. Se gostar, fique para jantar. Quando passei por lá, no final da tarde, a turma já estava preparando o tradicional porceddu, porco assado inteiro no espeto por até quatro horas.

Para provar esse e outros pratos típicos da Sardenha numa tacada só, fique o dia inteiro sem comer e encare o menu fechado do Agriturismo Alculiciu, na zona rural de San Teodoro. Depois da sequência de zuppa gallurese (pão envelhecido com caldo de carne e pecorino sardo), culurgiones (ravióli de queijo com menta), maloreddus (massa em formato similar ao do nhoque) e outros, eu já estava verdadeiramente inchada quando anunciaram a sobremesa: seadas, o nosso conhecido pastel de queijo, só que coberto com mel.